10 maio

No Salão de Genebra deste ano, a McLaren apresentou o 720S, primeiro membro de sua nova geração de supercarros, e o primeiro projeto totalmente novo desde 2011, quando foi lançado o MP4/12-C. Os modelos que vieram depois, como o 650S, o 570S e o 675LT, utilizavam o mesmo chassi monocoque de fibra de carbono e compartilhavam diversos componentes estéticos e funcionais, incluindo o motor V8 biturbo de 3,8 litros.

Com o McLaren 720S, teve início uma nova era para os supercarros da marca britânica. O chassi é novo, o motor foi totalmente retrabalhado e ganhou deslocamento, a identidade visual é completamente diferente e, mais importante, a evolução em todos os aspectos é notável. Ou ao menos é este o tom geral dos reviews feitos pela imprensa internacional. Vamos dar uma olhada no que eles dizem!

A verdade é que não tinha como o 720S ser pior do que antes. Como dissemos no post de lançamento, o supercarro utiliza uma nova versão da estrutura Monocage da McLaren, que de acordo com a marca garante rigidez e leveza sem precedentes na linhagem (e agora inclui também o teto do carro) e, com isto, deixou o carro quase 100 kg mais leve que seu antecessor, o 650S –  de 1.370 kg para 1.283 kg, para o que também contribuiu o aumento na proporção de fibra de carbono na carroceria e a eliminação do teto de metal.

mclaren_720s_coupe_73

mclaren_720s_coupe_234

Seu motor V8 agora desloca quatro litros, graças a um aumento de 3,6 mm no curso (o diâmetro permanece inalterado), e a McLaren diz que 41% dos componentes do motor são novos. O resultado são os 720 cv que lhe rendem o nome, aparecendo a 7.500 rpm, além de 77 mkgf de torque a 5.500 rpm. A transmissão continua a mesma, uma caixa de dupla embreagem e sete marchas, porém recalibrada para lidar melhor com a força extra.

Os caras da britânica Autocar gostaram das mudanças (embora os britânicos sejam mestres em supervalorizar seus carros nacionais):

“A McLaren se esforçou tanto com o 720S que agora não falta mais nada para fazer. Este carro, acredite, parece estar uma geração e meia à frente do 650S. É tão veloz, utilizável e controlável que talvez – talvez – seja o melhor supercarro do planeta.”

mclaren_720s_coupe_897

De acordo com a publicação, fica difícil superar o 720S. Dá para sentir que ele é mais veloz e mais ágil que o 650S, mas sua superioridade em relação a rivais como a Ferrari 488 GTB, por exemplo, se faz perceber em diversos outros aspectos.

“O 720S é maravilhosamente acessível – claro, insano, absurdamente rápido, porém com um rodar que, mesmo em um circuito longe de ser macio e no modo Track, lida com irregularidades de forma soberba e, ao mesmo tempo, consegue manter controle total sobre sua carroceria.

Há um pouco de mergulho em frenagens, um pouco de rolagem nas curvas e uma traseira muito bem amarrada sob aceleração. O peso da direção se mantém consistente e puro, há comunicatividade genuína, as trocas de marcha são precisas e a resposta do motor é forte e linear – sem planícies no gráfico, sem rompantes de força do turbo que some quando se chega perto das 8.000 rpm. Apenas uma aceleração ampla, fluida e sempre crescente.”

mclaren_720s_coupe_754

O pessoal da Evo é um pouco mais cético. “O McLaren 720S é superior a seu antecessor em todos os aspectos”, dizem. “Exceto pela diversão”. Para eles, os culpados são o ronco do motor e os sistemas eletrônicos, que deixam o carro contido demais em situações nas quais ele não deveria ser.

“Boa parte disto tem a ver com a falta de um ronco empolgante – só um monte de assovios e o ruído das enormes quantidades de ar sendo ingeridas, comprimidas e transformadas em potência.

E na pista, o Variable Drift Control não estava deixando as escorregadas mais fáceis, também. Você ainda precisa ter coragem de provocá-las e o carro não parece se comportar de forma constante. Deixar o controle de estabilidade menos invasido, colocando-o no modo “dynamic” faz quase a mesma coisa, não deixando o carro sair muito da trajetória.”

mclaren_720s_coupe_43

 

Agora, para o pessoal do Top Gear, o fato de ser previsível trabalha a favor do 720S: o carro é extremamente rápido, capaz de te levar aos 100 km/h em menos de três segundos e fazer você sentir que foi teletransportado. Mas, ao mesmo tempo, ele é extremamente fácil de dirigir, seja no anda-e-para da cidade quanto na pista, no limite. E eles também não se incomodaram muito com a eletrônica. “Você sente a eletrônica do chassi fazendo seu trabalho, mas só até certo ponto. Os limites do 720S são mais altos que o céu, perto da estratosfera”.

Se há discordância quanto à dinâmica do carro, em um ponto todos os reviews concordam: o carro é melhor construído que o 650S, e a cabine é mais espaçosa do que aparenta – como você já deve saber, a McLaren acabou com as entradas de ar para o motor nas laterais e as substituiu por dutos escondidos sob os painéis das portas. Com isto, o habitáculo só parece mais estreito por fora. A abertura das portas é maior, as soleiras são mais baixas, a área envidraçada é maior, e tudo isto faz com que seja mais fácil entrar e sair do 720S, aumenta a sensação de espaço e melhora a visibilidade.

mclaren_720s_coupe_312

mclaren_720s_coupe_73

Apesar disto, como nota a Car and Driver, ainda há alguns pontos que precisam de atenção. São detalhes como a sensibilidade da tela do sistema multimídia, que também não é dos mais  intuitivos, ou mesmo o design do interior, que não é tão criativo quanto o de outros supercarros. Isto pode não incomodar quem só quer um superesportivo altamente capaz, mas há quem tenha outras prioridades.

mclaren_720s_coupe_208

O veredicto final é surpreendentemente aberto. Em geral, os jornalistas acreditam que a McLaren ainda tem pouca experiência no desenvolvimento de esportivos para as ruas, afinal, 2017 é o sétimo ano da marca no ramo (desconsiderando o McLaren F1, que está um nível acima e foi desenvolvido por outra equipe, com motor da experiente BMW) e pode aprender muito. Claro, eles têm a técnica e os cálculos, mas alguns de seus rivais – o mais citado foi a 488 GTB – conseguem transmitir uma experiência mais visceral e autêntica, em vez de algo puramente rápido e técnico.

De qualquer forma, todos os 400 exemplares da edição de lançamento do McLaren 720S foram vendidas quase imediatamente, e outros 1.400 exemplares estão encomendados e começarão a ser entregues em breve. Isto só pode significar que eles estão no caminho certo.

Deixe um comentário