26 abr

Motor boxer e tração integral são as duas características principais que você espera encontrar em um carro feito pela Subaru. Mas este carro aí acima, o Subaru Traviq, não tinha nada disso: seu motor tinha quatro cilindros enfileirados em pé, seu câmbio estava ligado apenas às rodas dianteiras e a única semelhança com outros modelos da marca era o deslocamento de 2,2 litros. Isso porque ele não era realmente um Subaru, e sim um Opel Zafira fabricado na Tailândia com os logotipos da fabricante japonesa.
Mas como isso aconteceu? Como é que a Zafira foi parar no Japão e, acima de tudo, foi transformada em um Subaru?

Essa história começou nos anos 1960, quando a Nissan comprou parte da Subaru depois que o governo japonês decidiu que alguns setores da indústria deveriam se juntar para melhorar a competitividade dos produtos nacionais. Assim a Nissan comprou 20% da Fuji Heavy Industries (ou FHI, a empresa-mãe da Subaru) para adquirir a expertise da FHI na fabricação de ônibus. A parceria se estendeu até o final dos anos 1990, quando a Renault entrou em cena e formou a Aliança Renault-Nissan. Com a formação da aliança, os franceses decidiram que não precisavam da FHI e venderam seus 20% para a General Motors em 1999.

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Com a compra de 20% da Subaru, a GM passou a utilizar modelos Subaru para preencher lacunas de mercado em alguns países estratégicos e, em troca, a Subaru poderia usar modelos da GM com o mesmo objetivo. Assim, a GM decidiu vender o Subaru Forester com a marca da gravata na Índia — onde ele foi chamado de Chevrolet Forester — e também levou para os EUA o Subaru Impreza SW de segunda geração rebatizado como Saab 9-2X, uma vez que a fabricante sueca pertencia à GM na época.

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A Subaru, por sua vez, aproveitou que a GM produzia a Zafira na Tailândia e decidiu vendê-la com a sua marca no Japão para voltar a atuar no segmento das minivans. O modelo chegou em 2001 e foi rebatizado como Subaru Traviq, uma junção das palavras “travel” e “quick” e que também soava parecido com “traffic“. O visual era praticamente o mesmo da Zafira europeia, mudando apenas a grade dianteira e as lanternas traseiras em algumas versões.

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A naturalização japonesa da Zafira, contudo, não foi das mais fáceis. Primeiro, a Subaru arranjou um pequeno conflito comercial com a rede de concessionárias Yanase Co Ltd, que representava a Vauxhall no Japão e já vendia a Zafira europeia, produzida na Alemanha. Como a Traviq vinha da Tailândia, ela era mais barata que a Opel Zafira.

Depois tinha a questão da legislação japonesa: na Europa ela era considerada uma minivan compacta, mas por ser grande demais para o que o governo japonês considera “compacto”, ela pagava taxas e impostos mais caros que as concorrentes.

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A Subaru Traviq era oferecida em três versões de acabamento, todas com o mesmo motor Ecotec 2.2 de 149 cv. Na mais básica, a L, a minivan vinha equipada com lavadores de faróis, airbags laterais, apoios de cabeça ativos, computador de bordo e rodas de 15 polegadas. Logo acima estava a versão S, que trocava as rodas de 15 polegadas por outras de 16 polegadas e a suspensão original por outra mais rígida e mais esportiva. O modelo também ganhava um bodykit discreto que foi exclusividade da Subaru. No topo da linha estava a versão SL, que tinha volante de couro, console central com acabamento imitando alumínio escovado, rádio com MD, bodykit esportivo, bancos esportivos e instrumentos com fundo branco.

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Em 2003 a Subaru decidiu oferecer a Traviq com o nosso conhecido 1.8 Família 1, o mesmo que equipou a linha Corsa por aqui, com 115 cv. Mas nem mesmo a oferta desta versão mais barata do Traviq foi suficiente para convencer os clientes da marca a comprar o carro: ele não tinha motor boxer, não tinha tração integral, nem a mesma qualidade de construção dos demais Subaru — na verdade ela era inferior até mesmo à Vauxhall Zafira oferecida pela Yanase, e teve vários problemas de qualidade ao longo dos três anos em que foi oferecida.

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Em 2004 a Subaru encerrou a importação do carro, depois de pouco mais de 12.000 unidades vendidas — equivalente a cerca de 200 unidades por mês, considerando que a marca manteve as vendas até 2005 para esgotar os estoques. A Yanase, por sua vez, continuou vendendo a Vauxhall Zafira até 2006, quando a primeira geração da minivan deixou de ser produzida na Europa.

Já a Subaru decidiu desenvolver um modelo próprio, o Exiga, uma minivan com ares de perua derivada do Legacy que é produzida até hoje — desta vez com motores boxer e tração integral, como um Subaru de verdade deve ser.

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